Autor: Lucas Mafaldo

Uma educação para as coisas permanentes

Ao falar sobre educação liberal para um público que não conhece esta idéia, uma objeção que costumo ouvir com freqüencia é algo nas seguintes linhas: “mas para quê serve isto?”. Ou seja, a pergunta é pela utilidade da educação liberal.

A pergunta é bastante razoável, pois, dado que este é um empreendimento que tomará muito dos recursos de uma pessoa – incluindo seu recurso mais valioso e escasso: o tempo – ela tem todo o direito de saber que frutos irá colher do seu tempo e esforço investidos.

Uma resposta adequada para este pergunta, no entanto, não é nada simples, pois podemos seguir dois caminhos inteiramente diferentes: mostrar em quê a educação liberal é útil ou mostrar porque a utilidade não deve ser considerada o valor mais alto em nossas decisões. Neste artigo, percorremos o segundo caminho, deixando o primeiro para outro momento.

O que é a utilidade?

Vamos, portanto, primeiramente nos certificar que entendemos bem o que é a idéia de utilidade.

Quando dizemos que uma coisa é útil, estamos querendo dizer que ela é um meio eficiente de se alcançar um determinado objetivo, o qual varia de acordo com o objeto em questão.

O garfo, portanto, é útil porque ele é um meio eficiente para levar a comida à boca. O carro é útil porque ele é um meio adequado para nos locomovermos nas estradas. O remédio é útil porque serve para curar doenças.

A superioridade dos fins sobre os meios

O que está implícito nesta descrição – e que freqüentemente esquecemos – é que tudo o que é útil, por definição, não possui nenhuma importância em si mesmo, pois todo seu valor reside no objeto de sua utilidade. Em outras palavras: o garfo é tão importante quanto for a importância do ato de levar comida à boca; o remédio é tão importante quanto a cura que ele promove, etc.

Vídeo: Logos School - educação liberal na prática

Quando estou explicando para alguém o que é educação liberal, a réplica mais comum que costumo receber é a seguinte: "este é realmente o sistema ideal, mas não acho que é viável na prática".

Este vídeo é o melhor contra-argumento a este tipo de resposta que eu já vi: ele não apenas mostra um exemplo concreto de como a educação liberal é viável na prática, como, mesmo em termos puramente pragmáticos, ela ainda pode superar as alternativas.

O vídeo traz uma reportagem sobre um colégio e uma faculdade que seguem esta filosofia e que, além de formar pessoas preparadas para o mercado de trabalho, fazem com seus alunos fiquem acima da média nos testes de avaliação de aprendizagem.

Curso de leitura dos clássicos em Londrina

Caríssimos,

Fico feliz em avisá-los de que o Aristoi está montando sua primeira turma de educação liberal. O curso - chamado de "Educação pela leitura dos clássicos" - será ministrado por Silvio Grimaldo em Londrina, Paraná.

Seguindo as indicações de Adler, as aulas partirão diretamente da discussão das obras clássicas com o objetivo de introduzir o aluno na "grande conversação" do Ocidente. A discussão começará com Platão e prosseguirá com Sófocles, o Antigo Testamento, Shakeaspeare, Dostoievski e vários outros.

O que é educação clássica?

Introdução

Educação clássica é uma filosofia da educação apoiada em práticas de ensino acumuladas ao longo de vários séculos; é uma tradição que se inicia na Grécia antiga e atravessa todo o período medieval, renascentista e moderno até chegar ao século XX, nos Estados Unidos, sendo sistematizada e divulgada com o nome de liberal education.

No sentido mais abrangente do termo, educação clássica é uma idéia geral de educação que passou por diferentes manifestações particulares ao longo história. Cada uma destas manifestações possui suas características peculiares, no entanto, todas elas participam dos mesmos traços essenciais.

O objetivo deste artigo é expor quais são estes traços essenciais.

O que é a grande conversação?

Ao definir o que seja a educação liberal, Adler freqüentemente se refere à "grande conversação". Mas, o que significa isso?

Adler cunhou este termo para expressar algo que todos podemos observar facilmente: o mundo está repleto de opiniões; a cada esquina, podemos encontrar alguém discorrendo sobre política, economia, religião, literatura, etc. Além disto, multiplicam-se as publicações: livros, revistas e jornais - sem falar nos milhões de sites que surgem diariamente na internet. A quantidade de informações há muito passou do excessivo: quando há tanta coisa sendo dita, em quê devemos prestar atenção?

Terminologia: educação clássica e educação liberal

É preciso fazer alguns esclarecimentos quanto à terminologia utilizada em nosso site. O que estamos aqui chamando de "educação clássica" é idêntico ao que os anglo-saxões chamam de "liberal education" que costuma ser traduzido por "educação liberal".

Ao invés de seguir a tradução corrente, optamos por propor um novo termo para evitar ambiguidades. Temos observado que, quando falamos em educação liberal, as pessoas costumam associá-la ao liberalismo econômico - o que é um grande equívoco.