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O Trabalho de Isaías

Numa tarde do último outono, sentei por longas horas com um conhecido europeu, enquanto ele expunha uma doutrina político-econômica que parecia ser sólida como uma noz e na qual eu não conseguia achar defeito algum. Por fim ele me disse, com muita gravidade: "Eu tenho uma missão para com as massas. Sinto que sou chamado para ser ouvido pelo povo. Devotarei o resto de minha vida a espalhar amplamente minha doutrina entre a população. O que você acha?"

Esta é, em qualquer caso, uma pergunta desconfortável, e mais ainda nessas circunstâncias, por que meu conhecido é um homem muito culto, uma das três ou quatro mentes de primeira classe que a Europa produziu em sua geração; e naturalmente eu, sendo um dos incultos, estava disposto a considerar a menor de suas palavras com uma reverência beirando o temor. Ainda assim, eu pensei, nem mesmo a melhor das mentes pode saber tudo, e eu estava certo de que ele não tivera as mesmas oportunidades que eu para observar as massas da humanidade, e que, portanto, eu as conhecia melhor do que ele. Então, juntei coragem para dizer que esta não era sua missão. E que fazia bem em tirar essa idéia da cabeça de uma vez; ele descobriria que as massas não dariam a mínima para sua doutrina, e menos ainda para ele mesmo, já que em tais circunstâncias o favorito do povo é geralmente algum Barrabás. Eu cheguei até mesmo a dizer (ele é judeu) que a sua idéia parecia mostrar que não estava bem inteirado da literatura de seu povo. Ele sorriu da minha pilhéria, e perguntou o que eu queria dizer com ela; então, me referi à história do profeta Isaías.

Uma educação para as coisas permanentes

Ao falar sobre educação liberal para um público que não conhece esta idéia, uma objeção que costumo ouvir com freqüencia é algo nas seguintes linhas: “mas para quê serve isto?”. Ou seja, a pergunta é pela utilidade da educação liberal.

A pergunta é bastante razoável, pois, dado que este é um empreendimento que tomará muito dos recursos de uma pessoa – incluindo seu recurso mais valioso e escasso: o tempo – ela tem todo o direito de saber que frutos irá colher do seu tempo e esforço investidos.

Uma resposta adequada para este pergunta, no entanto, não é nada simples, pois podemos seguir dois caminhos inteiramente diferentes: mostrar em quê a educação liberal é útil ou mostrar porque a utilidade não deve ser considerada o valor mais alto em nossas decisões. Neste artigo, percorremos o segundo caminho, deixando o primeiro para outro momento.

O que é a utilidade?

Vamos, portanto, primeiramente nos certificar que entendemos bem o que é a idéia de utilidade.

Quando dizemos que uma coisa é útil, estamos querendo dizer que ela é um meio eficiente de se alcançar um determinado objetivo, o qual varia de acordo com o objeto em questão.

O garfo, portanto, é útil porque ele é um meio eficiente para levar a comida à boca. O carro é útil porque ele é um meio adequado para nos locomovermos nas estradas. O remédio é útil porque serve para curar doenças.

A superioridade dos fins sobre os meios

O que está implícito nesta descrição – e que freqüentemente esquecemos – é que tudo o que é útil, por definição, não possui nenhuma importância em si mesmo, pois todo seu valor reside no objeto de sua utilidade. Em outras palavras: o garfo é tão importante quanto for a importância do ato de levar comida à boca; o remédio é tão importante quanto a cura que ele promove, etc.

Palestra de Olavo de Carvalho sobre educação liberal


Palestra de Olavo de Carvalho
Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2001
Transcrição: Fernando Antônio de Araújo Carneiro
Revisão: Patrícia Carlos de Andrade
Sem revisão do professor

Dicas de estudo

Depois do artigo sobre Platão, vieram outras perguntas sobre o estudo da filosofia, a maioria delas na linha: o que ler e como ler?

As Ferramentas Perdidas da Aprendizagem

Nota do Editor: Escrito por Dorothy Sayers [1], este artigo é um verdadeiro clássico do movimento de retorno à educação clássica e defesa do homeschooling nos Estados Unidos.

O propósito conservador de uma educação liberal

Nosso termo "educação liberal" é bem mais antigo do que o uso da palavra "liberal" no sentido político. O que agora chamamos de "estudos liberais" remonta aos tempos clássicos, enquanto o liberalismo político surge apenas na primeira década do século XIX. "Educação liberal" significa ordenação e integração do conhecimento para o benefício do indivíduo livre - em contraste com a educação técnica ou profissionalizante, atualmente chamada, presunçosamente, "career education" - educação para a carreira.

A Educação Clássica dos Fundadores dos Estados Unidos

Existe uma razão que leva vários pais a ensinarem aos seus filhos sobre os homens que fundaram os Estados Unidos, e ela vai além de apenas familiarizá-los com o quem eles eram e o que eles fizeram. Mais do que apenas ensinar nossos filhos sobre estes homens, através de histórias e biografia de suas vidas, muitos de nós queremos que nossos filhos se tornem semelhantes a eles. Os pais fundadores possuíam duas características que os distinguiam dos outros homens do seu tempo - aliás, da maioria dos homens de qualquer tempo: sabedoria e virtude. São estas duas qualidades as que mais admiramos neles e as que mais gostaríamos de ver em nossos filhos. Mas, mais importante que admirar estes traços, deveríamos almejar entender como eles se tornaram assim.

O que é educação clássica?

Introdução

Educação clássica é uma filosofia da educação apoiada em práticas de ensino acumuladas ao longo de vários séculos; é uma tradição que se inicia na Grécia antiga e atravessa todo o período medieval, renascentista e moderno até chegar ao século XX, nos Estados Unidos, sendo sistematizada e divulgada com o nome de liberal education.

No sentido mais abrangente do termo, educação clássica é uma idéia geral de educação que passou por diferentes manifestações particulares ao longo história. Cada uma destas manifestações possui suas características peculiares, no entanto, todas elas participam dos mesmos traços essenciais.

O objetivo deste artigo é expor quais são estes traços essenciais.

O que é a grande conversação?

Ao definir o que seja a educação liberal, Adler freqüentemente se refere à "grande conversação". Mas, o que significa isso?

Adler cunhou este termo para expressar algo que todos podemos observar facilmente: o mundo está repleto de opiniões; a cada esquina, podemos encontrar alguém discorrendo sobre política, economia, religião, literatura, etc. Além disto, multiplicam-se as publicações: livros, revistas e jornais - sem falar nos milhões de sites que surgem diariamente na internet. A quantidade de informações há muito passou do excessivo: quando há tanta coisa sendo dita, em quê devemos prestar atenção?

Terminologia: educação clássica e educação liberal

É preciso fazer alguns esclarecimentos quanto à terminologia utilizada em nosso site. O que estamos aqui chamando de "educação clássica" é idêntico ao que os anglo-saxões chamam de "liberal education" que costuma ser traduzido por "educação liberal".

Ao invés de seguir a tradução corrente, optamos por propor um novo termo para evitar ambiguidades. Temos observado que, quando falamos em educação liberal, as pessoas costumam associá-la ao liberalismo econômico - o que é um grande equívoco.